domingo, 8 de abril de 2018
segunda-feira, 27 de novembro de 2017
UM OLHAR PARA AS ALTAS HABILIDADES: CONSTRUINDO CAMINHOS
Paulo Freire, cita em sua pedagogia
da autonomia que professor como sujeito
da ação, “assumindo-se como sujeito também da produção do saber, se convença
definitivamente de que ensinar não é transferir conhecimento, mas criar
possibilidades para sua produção ou a sua construção.” (1996, p. 22)
Portanto, como seguidora
de Freire, o comprometimento com o bom desenvolvimento de nossos educandos faz
parte da profissão que escolhemos exercer. No entanto, uma formação adequada se faz fundamental
para atingir os objetivos de criar possibilidades para a produção e construção
do conhecimento deste educando.
Em se tratando de alunos
com altas habilidades, “a identificação de uma assincronia”, que “aparece
quando alguma das capacidades humanas se desenvolve mais do que as outras”, faz
deste sujeito “uma pessoa única, complexa, na qual as altas habilidades se
configuram e articulam de forma particular”. (CUPERTINO, 2008 p.44).
A criança com altas
habilidades muitas vezes é confundida com alunos hiperativos, quando se lança
um olhar diferenciado se percebe que se trata de um sujeito de com habilidades
especiais.
“A identificação de
altas habilidades não se apóia em dados absolutos; não existem regras fixas,
nem a certeza de acertar. Mesmo as medidas mais precisas somente apontam
prognósticos, porque a vida humana é muito complexa e envolve muitas variáveis,
entre as quais pode existir uma alta habilidade. (CUPERTINO, 2008 p.23).
No entanto,
“definir se alguém tem
altas habilidades ou não depende da compreensão de seus comportamentos,
situados no contexto do qual provêm, e
da análise cuidadosa e detalhada das configurações das capacidades que
caracterizam cada pessoa”. (CUPERTINO, 2008 p.25).
É através da identificação
das altas habilidades, que o professor passa a tomar medidas educativas
adequadas para desenvolver as habilidades encontradas neste indivíduo,
oferecendo lhe desta forma uma formação ampla, de acordo com suas
potencialidades.
“Sem estímulo, esta pessoa pode
desprezar seu potencial elevado e apresentar frustrações e inadequação ao meio.”
(CUPERTINO, 2008 p.25)., pois estas habilidades podem ser desenvolvidos ou não,
tudo ira depender do ambiente que esta criança esta inserida; as habilidades
sociais tem que ser trabalhadas em uma ação conjunta com a família.
REFERÊNCIAS
CUPERTINO, Christina M. B., Um olhar
para as altas habilidades: construindo caminhos São Paulo: FDE 2008 disponível
em < http://www.christinacupertino.com.br/arquivos/Altas_habilidades.pdf
> acesso em novembro de 2017.
FREIRE, Paulo. PEDAGOGIA DA AUTONOMIA Saberes
Necessários à Prática Educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996. (Coleção Leitura)
domingo, 26 de novembro de 2017
Competências sociais, inclusão, Educação Especial — (TGD) Transtornos Globais do Desenvolvimento em especial o autismo.
Izabel Moura, professora e coordenadora das
equipes de acompanhamento – IHA, em entrevista sobre sociedade e deficiência
fala do aluno com TGD (Transtorno Global
do Desenvolvimento), exluido em diversos ambientes na sociedade por
desconhecimento, entre outros.
Conforme NOTA TÉCNICA Nº 04 / 2014 /
MEC / SECADI / DPEE,
II –
Alunos com transtornos globais do desenvolvimento: aqueles que apresentam um
quadro de alterações no desenvolvimento neuropsicomotor,
comprometimento nas relações sociais,
na comunicação ou estereotipias motoras.
Incluem-se nessa definição alunos com autismo clássico, síndrome de Asperger,
síndrome de Rett, transtorno desintegrativo da infância (psicoses) e
transtornos invasivos sem outra especificação. (CNE/CEB, nº 4/2009, que no seu
artigo 4º, considera público-alvo do AEE:)
Portanto, encontram-se especificidades nas áreas
do desenvolvimento do comportamento, interação social e linguagem. Especificidades
estas, importantes que o professor conheça e reconheça para realizar
estratégias de atendimento educacional deste aluno.
Sendo que conforme Camargo e Bosa, “as
dificuldades dos professores, de um modo geral, se apresentam de uma forma de
ansiedade e conflito ao lidar com o “diferente.” ( 2009 p. 69)
Moura salienta que a sociedade possui atitudes
que podem favorecer ou prejudicar o processo de inclusão, possui preconceitos
que determinam as relações, cria estereótipos e estigmas, e que
estes estigmas vão inserir ou excluir ou aluno ou qualquer pessoa que se mostre
diferente.
Conforme Camargo e Bosa, “O interesse nas
questões da interação social e as reflexões sobre a sua importância para o
comportamento humano surgiram no século passado.”(2009, p. 65)
O aprofundamento no estudo do desenvolvimento
humano, a “interação social” aparece em vários contextos, a qual tem seu
aprofundamento na visão de vários teóricos, que “parece haver um consenso entre
elas no sentido de que o sucesso da constituição psíquica do indivíduo depende
primordialmente do processo de socialização.” (CAMARGO E BOSA, 2009, p. 66)
[...] a importância
que assume a relação entre pares, dada sua intensidade e permanência ao longo
do desenvolvimento, torna inseparáveis o desenvolvimento da competência social
e o das relações interpessoais. (CAMARGO E BOSA, 2009, p. 67)
Na relação entre pares da mesma idade, a
“qualidade da interação com iguais e competência social influencia-se
mutuamente”.
Para Camargo e Bosa;
“proporcionar às crianças com autismo oportunidades
de conviver com outras da mesma faixa etária possibilita o estímulo as suas
capacidades interativas, impedindo o isolamento.” “A oportunidade de interação
com pares é a base o seu desenvolvimento, como para o de qualquer outra
criança.” (CAMARGO E BOSA, 2009, p. 68)
Desse
modo, a convivência compartilhada na escola a partir da inclusão no ensino
comum favorece o desenvolvimento de ambas as partes, possibilitando as convivências,
aprendizagens e respeito as diferenças. As intervenções dos colegas são
transformadoras deste comportamento.
A
escola no processo de inclusão possui o papel fundamental de proporcionar o
desenvolvimento deste individuo construindo habilidades sociais, possibilitando
o alargamento progressivo de experiências socializadoras, que permitam novos
conhecimentos e comportamentos.
Referências
CAMARGO, Síglia, P. H., BOSA, Cleonice, A. COMPETÊNCIA
SOCIAL, INCLUSÃO ESCOLAR E AUTISMO: REVISÃO CRITICA DA LITERATURA Psicologia & Sociedade; (1): 65-74,
2009
IHA - TGD - parte
I Rioeduca SME (2011) Disponível
em < https://youtu.be/Tf-R4hGYOFs
> Acesso em novembro/2017
IHA - TGD - parte lI
Rioeduca SME (2011) Disponível
em < https://youtu.be/clB2UNiA_X0
> Acesso em novembro/2017
NOTA TÉCNICA Nº 04 / 2014 / MEC / SECADI
/ DPEE, MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO Secretaria de Educação
Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão 23 de janeiro de 2014. Disponível
em < http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_docman&view=download&alias=15898-nott04-secadi-dpee-23012014&category_slug=julho-2014-pdf&Itemid=30192
> acesso em novembro 2017.
sábado, 25 de novembro de 2017
ESTÁDIOS DO DESENVOLVIMENTO COGNITIVO
Quadro, identificando as características, conforme
os estádios do desenvolvimento cognitivo: sensório motor; pré-operatório; operatório
concreto; operatório formal.
SENSÓRIO MOTOR
|
PRÉ- OPERATÓRIO
|
OPERATÓRIO CONCRETO
|
OPERATÓRIO FORMAL
|
EM MÉDIA 0 AOS 24 MESES
(a idade não é
garantia de ter atingido um período ou outro)
|
EM MÉDIA DE 2 A 7-8 ANOS
(a idade não é
garantia de ter atingido um período ou outro)
|
EM MÉDIA DE 7-8 A 11-12
ANOS
(a idade não é
garantia de ter atingido um período ou outro)
|
EM MÉDIA 11-12 A 13 OU
14 ANOS
(a idade não é
garantia de ter atingido um período ou outro)
|
Período marcado pela ação sobre a realidade, sem representação
da mesma
|
Início da capacidade de representação da realidade
|
Capacidade para realizar operações a nível mental, porém, relativas
ao mundo concreto.
“É o
nível da coordenação de conjunto das perspectivas igualmente. É o nível que
marca os sistemas mais amplos sobre o plano concreto.”( PIAGET, p. 240)
|
Pensamento probabilístico
[...]
vemos aparecer neste ultimo nível, é a lógica das proposições, a capacidade
de raciocinar sobre enunciados, sobre hipóteses.(PIAGET, p. 240)
|
Egocentrismo
(sua
percepção como centro. Só entende a relação numa direção (em relação a ela))
|
Antropomorfismo
O aparecimento da
Função simbólica sob suas diferentes
formas: [...] (PIAGET, p. 239)
|
Capacidade para fazer classificações e seriações
(no
plano lógico, “agrupamentos”)
|
Raciocínio sistemático, com controle de variáveis
|
Não conservação do objeto, ou seja, o objeto deixa de existir
quando sai do campo visual
“Começo
de coordenação dos espaços qualitativos até então heterogêneos, mas sem busca
dos objetos [...] (PIAGET, 237)
|
Raciocínio transdutivo
|
Surge a noção de número
|
Pensamento proporcional
|
Inteligência prática
(através
das ações)
|
Pensamento irreversível
|
Surge a reversibilidade do pensamento
|
Capacidade de jogar jogos de regras
|
Anomia
(ausência de leis e
regras, impossibilidade de nomear ou recordar
os nomes dos objetos)
|
Artificialismo
|
Surge a conservação das propriedades físicas do objeto, como
quantidade, peso e volume
(Começa
sucessivamente a compreender a conservação das quantidades, do peso e do
volume,...)
|
Descentração do pensamento
|
Pensamento mágico
(egocêntrico,
intuitivo)
|
Capacidade de jogar jogos de regras
|
Análise combinatória
|
|
Pensamento
intuitivo
|
Descentração do pensamento
|
Autonomia moral
|
|
Egocentrismo
|
Autonomia moral
|
Capacidade para pensar em termos hipotéticos
(pensamento
hipotético-dedutivo o ser humano passa a criar hipóteses para tentar explicar
e sanar problemas)
|
|
Centração do pensamento
(apenas
um aspecto de determinada situação é considerado)
|
|||
Pensamento
centrado na percepção
|
|||
Animismo
|
|||
Realismo
|
|||
Realismo nominal
|
|||
Heteronomia
|
quinta-feira, 23 de novembro de 2017
" História, conceito e tipos de deficiência" / Deficiências e Diferenças
O ser
humano tem o potencial de se reinventar, porém culturalmente a diferença nem
sempre é valorizada.
Em relação
as pessoas com deficiência, Maior saliente em sua fala “que somos muito
resistentes às mudanças e insistimos em acreditar que pessoas merecem rótulos,
que muitas vezes as inferiorizam, e que estabelecemos
escalas de valor para as pessoas”. A exclusão imposta para o mundo feito aos “normais”, ainda nos dias de hoje submete milhões
de pessoas a permanecem no anonimato, isoladas, apartadas da convivência social.
“O modelo
social tem por foco as condições de interação entre a sociedade e as pessoas
com limitações funcionais. [...] visa a
transformação das condições sociais, mediante políticas publicas inclusivas.”
(MAIOR, p. 2)
“As pessoas com deficiência são sujeitos de
direitos, com autonomia e independência para fazer suas escolhas, contando com apoio
social.”
Porém, a
autonomia como definidora da dignidade humana não depende do corpo que se tem,
mas do mundo que se vive. A tecnologia, a acessibilidade, os recursos são aliados
nesta busca, por igualdade e equidade.
“Entende-se,
portanto, que deficiência é uma questão coletiva e da esfera pública, e é
obrigação dos países prover todas as questões que efetivamente garantam o exercício
dos direitos humanos”.
Como
professora, ainda não tive a oportunidade de trabalhar, aprender e construir aprendizagens, com este educando,
no entanto, este semestre tão marcado pelas diversidades, mostra a evolução das sociedades para o respeito
as diferenças individuais. Compreender algumas características destas
limitações, articular aos conceitos e as práticas pedagógicas adquiridas no
curso poderá contribuir ao processo de ensino/aprendizagem deste sujeito proporcionando
desta forma uma educação inclusiva, promovendo desta forma o entendimento da
diversidade como valor.
REFERÊNCIA
Maior, Izabel. História, conceito e tipos de deficiência disponível em < http://violenciaedeficiencia.sedpcd.sp.gov.br/pdf/textosApoio/Texto1.pdf > acesso em novembro/2017.
ParadesportoRS Deficiencias e Diferenças com Izabel Maior e Benilton Bezerra disponível em < https://youtu.be/29JooQEOCvA > acesso em novembro/2017.
REFERÊNCIA
Maior, Izabel. História, conceito e tipos de deficiência disponível em < http://violenciaedeficiencia.sedpcd.sp.gov.br/pdf/textosApoio/Texto1.pdf > acesso em novembro/2017.
ParadesportoRS Deficiencias e Diferenças com Izabel Maior e Benilton Bezerra disponível em < https://youtu.be/29JooQEOCvA > acesso em novembro/2017.
terça-feira, 21 de novembro de 2017
"As cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão"
Estamos suscetíveis a vários tipos de erros através
das percepções que temos quando estamos recebendo informações e conhecimentos,
são “traduções e reconstruções cerebrais com base em estímulos ou sinais
captados e codificados pelos sentidos”. O erro de percepção, proveniente de
nossa visão, acrescenta-se ao erro intelectual, onde cada sujeito tem suas próprias
percepções, portanto realizam a “tradução/reconstrução por meio da linguagem e
do pensamento.”, de formas diferentes.
Morin, cita que “O desenvolvimento do conhecimento
científico é poderoso meio de detecção dos erros e da luta contra ilusões”.
(2002, p. 21). Porém, nos paradigmas que
controlam a ciência podem desenvolver ilusões, logo nenhuma teoria esta imune
ao erro das ilusões.
A educação precisa ensinar, no processo
ensino-aprendizagem, a condição humana com base na razão, sem esquecer a
afetividade, na emoção.
Os tipos de erros que podemos desenvolver mediante ao conhecimento são:
Ø Os erros mentais: exemplificado por falsas lembranças, ilusões, memória ...
Ø Os erros Intelectuais: pois o sistema de ideias (doutrinas, teoria, ideologias) estão
sujeitos ao erro como também os protege
Ø Os erros da razão: Cabe controlar a racionalidade diante da racionalização. “A racionalização
é fechada, a racionalidade é aberta.” Precisamos ser racionais para enxergar
determinados erros.
[...] a necessidade de reconhecer
na educação do futuro um princípio de incerteza racional: a racionalidade corre
risco constante, caso não mantenha vigilante autocrítica quanto a cair na
ilusão racionalizadora. Isso significa que a verdadeira racionalidade não é
apenas teórica, apenas crítica, mas também autocrítica. (MORIN, 20002, p. 24)
Portanto, temos que ter uma incerteza
racional, não podemos acreditar em tudo, temos que estar abertos a esta
racionalização para enxergar os erros e as ilusões.
Ø As cegueiras paradigmáticas (Os erros paradigmáticos):
modelos explicativos sujeitos a erros de concepção e interpretação de conceitos.
Portanto, “um paradigma pode ao mesmo tempo elucidar e cegar, revelar e
ocultar”.
REFERÊNCIA
MORIN,
Edgar. Os setes saberes necessários à
educação do futuro. Cortez Editora. 5ª edição. São Paulo: Cortez; Brasilia,
DF: UNESCO. 2002 (Cap. I, p. 19 a 27)
sexta-feira, 17 de novembro de 2017
"À SOMBRA DESTA MANGUEIRA"
Freire, a sombra da mangueira discute
a relação dialógica como prática fundamental à natureza humana e à democrática;
e como uma exigência epistemológica.
Salienta em sua reflexão, o método de
distanciar-se do objeto, cercando-o (cerco epistemológico) para melhor
compreender e conhecer suas substancias interiores de relações com o outro.
As questões de dialogicidade, se faz
exigência na comunicação, no entanto se a “comunicação e a informação ocorrem
ao nível da vida sobre o suporte” (tecnologia), Freire nos convida a pensar sua
importância na “existência humana no mundo”.
Como seres históricos, a natureza
humana constituindo-se social e historicamente por uma trajetória inacabada
marcada pela finitude (morte) e pela inconclusão. Logo, em nossa caminhada
encerramos etapas para dar seqüência a outras, a finitude que antecede o
recomeço.
“A permanência da educação também
está no caráter de constância da busca, percebida como necessária.”(FREIRE,
2000, p. 75) A esperança, a partir de nossa ação no mundo.
“A consciência do
inacabado torna o ser educável.” “A consciência de, a intencionalidade da
consciência, não se esgota na racionalidade.” (FREIRE, 2000, p. 75).
Portanto, a esperança consciente em um mundo que almejamos implica na
capacidade de percebê-lo e compreende-lo em sua totalidade. [...] razão,
sentimento, emoção, desejos – que meu corpo consciente do mundo e de mim capta
o mundo a que se intenciona. (FREIRE, 2000, P. 76)
O exercício constante nas
experienciais relacionais, cujo a curiosidade se faz elemento fundamental de
abertura a compreensão, nos torna “seres da pergunta”, nas quais abrem
possibilidades de conhecimento.
Referência
FREIRE, Paulo. À SOMBRA DESTA
MANGUEIRA. Ed. Olho d’Água, São Paulo, SP. 2000
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